Regulatório · Consulta Pública ANEEL 33/2026
A HACON enviou 24 contribuições à Consulta Pública ANEEL nº 33/2026, que revisa o Módulo 3 do PRODIST. É esse texto que vai definir como as distribuidoras observam e controlam os Recursos Energéticos Distribuídos (RED): geração fotovoltaica, armazenamento, inversores híbridos e cargas controláveis.
O que está em jogo na Consulta Pública ANEEL 33/2026
O impacto é direto. Cerca de 68 mil minigerações e 1,5 mil centrais geradoras terão de se adequar a novos requisitos de telecomando, monitoramento e limitação de potência. Para quem projeta, instala ou opera usinas, a regra final vai mexer em custo, prazo e viabilidade de conexão.
Nossas propostas partem do que vemos em campo, operando controladores de usina em instalações reais. O objetivo é uma regra mais segura, clara e viável — para consumidores, geradores e distribuidoras.
As seis frentes das nossas contribuições
1. Segurança por princípio
Se algo falhar, a instalação deve ir para um estado seguro: sem injeção na rede. Propusemos a lógica fail-safe (desenergizar para desligar) como padrão.
Na prática, perda de alimentação, rompimento de cabo ou falha do controlador resultam em desligamento — nunca em injeção descontrolada. Também propusemos a supervisão do estado dos dispositivos de interrupção e o religamento somente depois de identificada e corrigida a causa da falha.
2. Controle graduado em vez de desligar tudo
A distribuidora limita a potência no ponto de conexão (PCC), e a instalação continua atendendo suas cargas e gerando até o limite. Desconectar a usina inteira para resolver uma restrição pontual desperdiça energia e penaliza o consumidor.
Na perda de comunicação: um limite padrão definido pela própria distribuidora entra em vigor automaticamente, sem necessidade de desconexão. A rede fica protegida e a usina segue operando dentro de uma margem conhecida.
É a mesma lógica de malha fechada que um controlador de exportação zero já aplica no PCC. Veja esse comportamento no nosso simulador Zero Grid.
3. Regras claras e nacionais
Hoje, cada concessionária tende a criar suas próprias exigências. Isso multiplica projetos, ensaios e retrabalho para quem atua em mais de uma área de concessão. Propusemos:
- critérios objetivos de desempenho;
- definição precisa do prazo de atuação;
- limitação por fase;
- um protocolo de comunicação único nacional para cada tipo de instalação.
4. Retrofit viável
Milhares de usinas existentes usam inversores de fabricantes diferentes. Exigir que cada inversor responda individualmente à distribuidora tornaria a adequação cara ou inviável.
Nossa proposta: reconhecer o controlador de usina como interface única da instalação. Ele recebe os comandos da distribuidora e coordena todos os inversores — sem trocar equipamentos e sem reabrir o processo de conexão.
5. Armazenamento, híbridos e gestão de energia
O Módulo 3 precisa tratar baterias e inversores híbridos de forma explícita. Propusemos:
- limite de importação, além do limite de exportação;
- comandos específicos para baterias (BESS);
- tratamento adequado dos inversores híbridos;
- uso do excedente para carregar a bateria, em vez de desperdiçar energia renovável durante uma limitação.
6. Mais conexões na rede existente
Em redes com capacidade restrita, propusemos a conexão flexível: a instalação injeta mais quando a rede comporta e é limitada remotamente nos períodos de restrição.
O resultado é aproveitar a capacidade ociosa da rede e ampliar a geração renovável sem esperar por obras de reforço.
Resumo das propostas
| Eixo | Proposta central |
|---|---|
| Segurança por princípio | Fail-safe como padrão; religamento só após corrigir a causa |
| Controle graduado | Limitar potência no PCC; limite padrão automático na perda de comunicação |
| Regras nacionais | Critérios objetivos, prazo de atuação, limitação por fase, protocolo único |
| Retrofit viável | Controlador de usina como interface única, multimarca |
| Armazenamento e híbridos | Limite de importação, comandos para BESS, excedente carrega a bateria |
| Mais conexões | Conexão flexível em redes com capacidade restrita |
A consulta segue aberta até 9 de novembro
A CP 33/2026 recebe contribuições de 10 de setembro a 9 de novembro de 2026. Quanto mais contribuições técnicas o setor enviar, melhor será a regra final. Integradores, projetistas, fabricantes e geradores têm experiência de campo que a agência precisa ouvir antes de fechar o texto.
Documentação oficial: gov.br/aneel › Participação Social › Consultas Públicas.
Sua usina vai precisar se adequar?
Se você opera ou está projetando uma minigeração ou central geradora, vale avaliar desde já como a instalação vai responder a telecomando, monitoramento e limitação de potência. A HACON desenvolve controladores de usina multimarca, com lógica fail-safe e controle no PCC.
Fale com nossa engenharia ou consulte as perguntas frequentes.
Este artigo resume as propostas da HACON e não substitui o texto oficial da ANEEL. A regra final pode diferir do que está em consulta. Para decisões de projeto ou investimento, consulte um especialista jurídico ou regulatório.
